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An older woman, a younger woman, and a child, all wearing head wraps, smile widely while taking a picture together indoors.
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Foto enviada por Maiara Juliana Gonçalves da Silva

16 Sept 2020

A minha família é composta por mulheres pretas. Coincidentemente, os homens da minha família faleceram cedo. Isso ocorreu com meus dois avôs (minha avó materna se casou duas vezes) e com meu pai (que faleceu aos 60 anos). Apenas o único homem da família, meu irmão, ainda é vivo. Portanto, atualmente, somos quatro mulheres: minha avó, minha mãe, eu e a minha filha (4 anos de idade). Portanto, a ancestralidade de quatro gerações de mulheres pretas. Mas, mais do que isso, a história narra uma evolução nas perspectivas de vida. Minha avó era empregada doméstica no Rio de Janeiro, em que começou a trabalhar em casa das famílias da elite da zona sul carioca a partir dos 11 anos de idade. Minha avó é analfabeta. Já, minha mãe, estudou, trabalhou como secretária datilógrafa, e, mais tardiamente, fez uma graduação de pedagogia que foi concluída no ano do meu nascimento (1988), e dez anos após o nascimento do meu irmão (que foi em 1978). Já eu, fui a primeira mulher da minha família a ter uma pós graduação (doutorado) e também a se tornar professora da universidade pública federal. A minha filha nasceu preta também. E sempre me preocupou que esse entendimento dela como uma mulher preta fosse trabalhada desde cedo. Por isso, essas duas fotos com o turbante são tão significativas para mim, porque unem ancestralidade, identidade, reconhecimento e luta. Na foto, estamos eu, minha filha Sofia Valentina e minha mãe.

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An older woman, a younger woman, and a child, all wearing head wraps, smile widely while taking a picture together indoors.

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