Ato do dia 12 de janeiro de 2024, por Julieta Hernandez.
À Julieta Hernandez: carta a uma irmã que deu a vida Em meio ao turbilhão de dor e espanto pelo feminicídio da Julieta Hernandez, a palhaça Jujuba, que há 9 nove anos nos encantava, com a sua bicicleta, sua doçura e sua coragem, recebemos esta carta, ao mesmo tempo, íntima e épica, escrita pela irmã Sophia ‘La Roja’ Hernandez, e pela Nona e a Vero, suas irmãs d’alma.Há alguns dias, recebemos a pior notícia, aquela que ninguém deveria nunca ouvir. A imprensa sensacionalista faz o seu trabalho, mostrando-nos informações e detalhes horríveis que fizeram muitos terem medo. Mas Julieta sempre rejeitou o medo, ela era uma ariana poderosa, nunca teve medo, pelo contrário, rebelava-se com o poder de uma tempestade. Hoje, devemos contar essa parte de sua história, que não é de forma alguma a mais importante nem a que queremos que seja lembrada, mas sua trágica morte é uma história de proeza inimaginável. Julieta se imortalizou e essa é a maior expectativa de qualquer artista! E dói, claro, dói a todos nós porque sentimos que tínhamos muito a aprender com ela, tantos planos interrompidos pela realidade injusta. Mas Juli era assim, ela vivia o presente buscando sempre a expressão mais elevada de sua alma. Sua bondade e disposição para servir sempre foram sua forma de se relacionar. Julieta não acreditava em impossíveis, como acreditar neles se ela percorreu milhares de quilômetros com a força de suas pernas.Num dia sombrio, em seu caminho ela encontrou cinco grandes razões para se martirizar, cinco crianças, crianças pobres. Os assassinos dela foram os monstruosos pais dessas criaturas. Com o último dinheiro que tinha, ela comprou leite para essas crianças e decidiu ir para a casa dessa família pobre e miserável. Possivelmente, pelo que as pessoas contam, ela percebeu o abuso contra elas. Não era a primeira vez que Julieta se comovia diante do sofrimento infantil e se disponibilizava para lhes levar ao menos um pouco de alegria e amor, e foi naquela casa que aconteceu tudo o que não conseguimos mencionar. O homem, bêbado, quis abusar de Juli, ela se defendeu com todas as suas forças, mas a mulher dele foi quem conseguiu deter nossa Julieta, agarrou-a cansada e muito machucada. Eles a enterraram com a sua bike, com os seus sonhos e os nossos corações. Hoje ambos estão e estarão presos pelo resto de suas vidas. As crianças estão agora em um abrigo com um futuro, com outra oportunidade. Obrigada, Juli, por sua dedicação, pois nessa cena final você salvou cinco crianças de tantas misérias, e com isso gerou um movimento que não se apagará, porque aqueles que morrem pela vida não podem ser chamados de mortos. E você, irmã, foi isso, luz, amor e sorrisos que sempre ressoarão em todos nós que tivemos a sorte de conhecê-la, e em todos que ouvirem e conhecerem sua história.
A woman with body paint, including a white spiral and red handprint, and a red clown nose, smiles during a public demonstration in Rio de Janeiro. Other participants' hands are raised in the...
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